Considerada uma das maiores famílias oligarcas do país, os Barbalho estão presentes em praticamente todas as esferas de poder. Um verdadeiro parasita a ser combatido.
Os registros mais antigos são muito escassos, mas historiadores apontam que a família já exercia influência política desde o Império, com atuações na chefia de intendência, tribunais e oficialato da Guarda Nacional, além de grandes propriedades rurais no interior do estado.
O início da dinastia moderna se deu em Laércio Wilson Barbalho; o jornalista foi diretor da Imprensa Oficial do Pará e deputado estadual entre 1950 e 1969. Foi voraz contra o regime militar de 64, quando se filiou ao PMDB e teve seu mandato cassado pelo AI-5.
O patriarca da Nova República foi seu filho, Jader Barbalho, que começou jovem como vereador de Belém; foi deputado estadual e federal, ministro do Desenvolvimento Agrário, ministro da Previdência, presidente do Senado Federal e governador do estado duas vezes; atualmente atua como senador.
Ele virou um dos maiores símbolos de impunidade do país, depois de passar por numerosos escândalos de corrupção e estar exercendo a função pública até hoje.
(1990-2000): A PF e o MP concluíram que Jader usava laranjas e empresas fantasmas para embolsar bilhões dos recursos públicos da SUDAM e da SUDENE; o caso prescreveu e foi arquivado.
Escândalo da Previc da Caixa Econômica: o MP concluiu que Jader desviava do Fundo Amazônia e fundos de pensão com contratos fictícios. Ele renunciou ao Senado em 2001 para escapar da cassação, para que pudesse concorrer a eleições futuras, sendo eleito novamente em 2002.
Escândalo do Banpará: durante sua gestão como governador, o Banco do Pará foi usado em operações financeiras irregulares, com empréstimos a aliados políticos, criando rombos milionários. O banco teve que passar por uma reestruturação, com apoio federal.
Caixa 2 e lista da Furnas: Jader apareceu em listas obtidas pela Polícia Federal como beneficiário de caixa 2 de empresas como a Furnas e empreiteiras, sendo também citado na lista de Janot (2015), junto com políticos suspeitos de corrupção na Petrobras.
Jader foi alvo de várias ações civis e inquéritos criminais, mas nunca foi condenado em definitivo; muitas foram arquivadas ou prescreveram, fazendo com que ele se tornasse um símbolo de impunidade.
Em 2022 ele se tornou um dos principais aliados do presidente Lula na região Norte, indicando cargos e atuando nos bastidores.
Elcione Barbalho é a atual matriarca, porém, divorciada de Jader, ela já foi mencionada em denúncias de nepotismo cruzado, clientelismo político, desvio de recursos e uso irregular da máquina pública.
O mais polêmico talvez tenha sido a ONG "Projeto Pará 2000", porém, nunca foi condenada criminalmente ou sofreu cassação. Ela é considerada como o membro mais discreto do clã, com atuação maior nos bastidores da política.
Helder Zahluth Barbalho é filho de Jader com Elcione, e atual governador do Pará. Tem sido o novo e principal rosto da família, com discurso "renovador", mas também envolvido em escândalos. Em 2022 foi reeleito no 1º turno das eleições com mais de 70% dos votos válidos, sendo proporcionalmente o governador mais votado do país naquele ano.
Caso dos Respiradores (2020): ficou conhecido nacionalmente, quando a operação Para Bellum da Polícia Federal apontou superfaturamento na compra de respiradores durante a pandemia do coronavírus. Os aparelhos nunca funcionaram e boa parte sequer foi entregue. O caso ainda corre na justiça.
Desvio na Saúde (2020-22): duas operações da PF investigaram irregularidades em contratos sem licitação de infraestrutura hospitalar no Pará e prestação de serviços superfaturados com recursos federais. Os alvos eram secretários indicados por Helder e empresas de fachada.
Eleições (2022, 2024): investigações jornalísticas apontam que Helder usou programas sociais e distribuição de bens (como o caso das cestas básicas em Ananindeua) para promover a imagem de aliados políticos próximos das eleições.
Acusações informais de conflitos de interesse também são frequentes, quando nomeou a própria esposa, Daniela Barbalho, para fiscalizar as contas do marido como conselheira vitalícia do Tribunal de Contas do Estado; e depois o primo, o então deputado estadual Igor Normando, para a Secretaria de Cidadania. Mais tarde Igor seria o candidato de Helder para a prefeitura de Belém.
Durante o seu governo, diversas obras públicas foram alvos de questionamentos pelo Ministério Público de Contas, como licitações direcionadas, empresas recém-criadas vencendo licitações e execução parcial de obras com pagamento total.
Mais do que políticos, os Barbalho também são um grupo midiático:
É o que explica o porquê de uma família tão polêmica ser, ao mesmo tempo, tão popular no estado.
Laércio Barbalho, que como mencionado, foi diretor da Imprensa Oficial do Estado, também foi fundador do jornal Diário do Pará, que dominou o estado, chegando a atingir 60% do consumo jornalístico de Belém, segundo o Ibope.
O filho, Jader Barbalho, comprou a RBA (atual afiliada da Bandeirantes), e logo depois adquiriu 6 estações de rádio no estado. Mais recentemente, criou o Diário Online (DOL), superando a família Maiorana (dona do Grupo Liberal e afiliada da TV Globo) como a maior comunicadora do Pará.
O que se vê no estado do Pará é um universo paralelo, onde toda a negatividade do regime Barbalho é completamente ofuscada pela mídia regional. Isso facilita a manutenção do poder oligárquico da família, que agora anseia um novo marco.
A COP 30
Para o evento das Nações Unidas que discute as mudanças climáticas, a capital paraense, Belém, foi a escolhida. A cidade, porém, recentemente passou por uma brincadeira do governador.
Em 2024, Belém repercutiu nacionalmente como a cidade do lixo, graças à gestão de Edmilson Rodrigues (PSOL), mas não foi bem assim. Edmilson, de fato, foi um péssimo gestor, mas se engana quem acha que ele era um aliado de Helder só porque Helder é um aliado de Lula.
No Pará, como eu já mencionei, se vive em um universo paralelo. No estado não há polarização regional, a ideologia predominante é o barbalhismo, que é criticado pela esquerda e pela direita. Vigora a lei “se você não é meu amigo, é meu inimigo”, mas ela não estava para Edmilson Rodrigues, que por não ser um membro da família Barbalho, era inimigo.
Então o que se viu foi uma verdadeira sabotagem da gestão municipal com a finalidade de eleger o primo do governador, Igor Normando, como prefeito da capital (objetivo que falhou nas eleições de 2020).
Esse movimento acontecia em paralelo às discussões sobre Belém ser a capital da COP 30, que a partir do primeiro dia da gestão de Igor Normando, o lixo começou a sumir coincidentemente, mesmo o atual prefeito dizendo que a prefeitura estava sem dinheiro algum.
Mas a COP 30 não passa de um trampolim. Ainda em 2024, quando se discutia na cúpula do Partido dos Trabalhadores as eleições de 2026, o nome de Helder foi citado como um dos possíveis nomes para compor a chapa eleitoral de Lula ou do PT em 2026.
A COP 30, então, não passaria de uma vitrine para nacionalizar o nome de Helder que, se avaliado como bem-sucedido, deve compor a chapa de Lula, e, se eleitos, a vice-presidência seria o cargo de poder mais alto que um Barbalho já chegou, nacionalizando a sua oligarquia nepotista. E seria pior ainda se, nas eleições de 2030, o PT usasse uma estratégia comum de hoje em dia, de colocar o vice como cabeça de chapa depois que Lula não pudesse se reeleger.
Atualmente, Helder é não-oficialmente pré-candidato ao Senado Federal; se Helder não renunciar até o dia 4 de abril, o Brasil não precisará viver a tensão de ter Helder como possivelmente o novo vice-presidente da trágica República.
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Política




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