O Romano Pontífice é o líder internacional mais popular do mundo

O Papa Leão XIV é apontado como a única liderança internacional com um saldo positivo maior que o negativo. 

Papa Leão XIV fechando a porta santa, 2025 – Alberto Pizzoli/AFP.


É a 4ª vez que um Papa aparece no topo do ranking da End of Year Survey, superando os Estados Unidos e fazendo do Vaticano o país com mais vezes no top 1 da lista.

Capa do Arauto em 13 de março de 2026.



🇻🇦 Vaticano: 4 vezes – Francisco (3), Leão XIV (1).
🇺🇸 Estados Unidos: 3 vezes – Barack Obama.
Alemanha: 2 vezes – Angela Merkel.
🇷🇺 Rússia: 1 vez – Putin.
🇨🇳 China: 1 vez – Xi Jinping.

Entre 2014 e 2016, quando a metodologia foi alterada para incluir líderes religiosos como lideranças globais, permitindo a consideração dos pontífices.

Nenhuma personalidade brasileira chegou a ficar no pódio do ranking desde o início da série histórica, em 1977.

📊 Aos dados:

A End of Year Survey avaliou 6 lideranças globais em 61 países, com mais de 64 mil entrevistados.

Cada líder recebe três indicadores nas respostas: opinião favorável, opinião desfavorável, não conhece / sem opinião.

Em 2026:

1️⃣ Papa Leão XIV — 49% favorável.
2️⃣ Donald Trump — 30% favorável.
3️⃣ Xi Jinping — 29% favorável.
4️⃣ Vladimir Putin — 25% favorável.
4️⃣ Narendra Modi — 25% favorável (empate).
6️⃣ Benjamin Netanyahu — 19% favorável.

Outra métrica usada é em quantos países, dos selecionados, esses líderes têm uma imagem favorável:

Leão XIV: 51.
Xi Jinping: 18.
Trump: 13.
Putin: 13.
Modi: 11.
Netanyahu: 5.

*O critério principal do ranking não é em quantos países o líder é mais popular, e sim a média global de opinião favorável (ou saldo de favorabilidade) entre todos os entrevistados.


Mas o que explica isso?

Num mundo marcado por guerras, crise de autoridade e lideranças cada vez mais fracas, a figura de Papa Leão XIV tem se destacado de maneira surpreendente.

Essa popularidade não surgiu por acaso. Ela parece ser fruto de um fenômeno raro no cenário internacional atual: um líder espiritual que voltou a exercer influência real sobre os rumos da política global.

Desde o início de seu pontificado, Leão XIV tem procurado recuperar um papel histórico da Santa Sé: o de mediadora entre nações.
O exemplo mais recente veio na negociação envolvendo Cuba. Após conversas diplomáticas conduzidas pelo Vaticano, o governo cubano anunciou a liberação de 51 presos, gesto que ocorreu após encontros entre representantes da ilha e o pontífice no Vaticano. 

A iniciativa ocorreu em meio à crescente tensão entre Cuba e os Estados Unidos, que voltaram a pressionar fortemente o país caribenho com sanções e medidas econômicas. Nesse contexto, Leão XIV fez um apelo público para que os líderes buscassem “diálogo sincero e eficaz”, a fim de evitar que o sofrimento recaísse sobre o povo cubano.

A libertação dos presos foi vista por muitos observadores como uma pequena vitória diplomática da Santa Sé, demonstrando que, mesmo num mundo dominado por interesses geopolíticos, a autoridade moral ainda pode abrir portas que a política convencional não consegue.

O retorno da autoridade moral
Durante décadas, muitos acreditaram que o papado havia perdido influência no cenário internacional. Leão XIV parece contrariar essa percepção.

Seu estilo é menos burocrático e mais direto. Ele fala de temas duros — guerras, soberania, pobreza, perseguição religiosa — sem a linguagem excessivamente técnica que afastava grande parte do público das declarações do Vaticano.

Esse modo de agir tem feito com que sua figura ultrapasse os limites do catolicismo. Mesmo em países pouco religiosos, a imagem do papa aparece como uma referência de estabilidade moral em tempos confusos.

Um ponto histórico ajuda a entender por que a diplomacia da Santa Sé, através do Papa, ainda possui tanto peso no cenário internacional. O Concílio Vaticano I (1869–1870) marcou uma mudança profunda na forma como o papado se projeta no mundo. Ao definir solenemente o dogma da infalibilidade papal e reforçar a autoridade do pontífice, o concílio consolidou a figura do papa como centro inequívoco da unidade e da autoridade da Igreja.

Poucos anos depois, com a perda dos Estados Pontifícios em 1870, a Santa Sé deixou de ser um poder territorial significativo e passou a atuar sobretudo como potência moral e diplomática. Paradoxalmente, essa perda de território acabou fortalecendo seu papel internacional: sem interesses nacionais próprios, o Vaticano passou a se apresentar com mais credibilidade como mediador entre nações — uma tradição diplomática que chega até o pontificado de Papa Leão XIV.


Um líder espiritual num mundo sem líderes.

Há também um fator político mais profundo por trás dessa popularidade.

Vivemos uma época em que muitos governos parecem incapazes de oferecer rumo ou esperança às suas próprias nações. Nesse vazio de liderança, figuras com autoridade simbólica acabam ganhando espaço.

O papado sempre teve essa característica singular: não depende de exércitos nem de eleições, mas de legitimidade moral acumulada ao longo de séculos. Quando um pontífice decide usar essa autoridade o impacto é inevitável.


Por que o mundo está ouvindo Leão XIV?

Alguns parecem explicar a ascensão da popularidade do Papa: Diplomacia ativa (como nas negociações envolvendo Cuba e outras crises internacionais), discurso claro e firme, sem excessos tecnocráticos e autoridade moral num mundo politicamente desgastado.

Não se trata apenas de religião. Trata-se da busca por liderança com sentido histórico, algo cada vez mais raro.

Ainda é cedo para saber qual será o legado completo de Leão XIV. Mas alguns sinais já são claros: ele está tentando recolocar o Vaticano como ator relevante na política mundial, algo que não acontecia com tanta força há décadas.
Num tempo em que tantas instituições parecem perder força, o papado, paradoxalmente, pode estar vivendo um novo momento de protagonismo.

E talvez seja exatamente isso que explica por que quase metade do planeta olha hoje para Roma e vê, na figura de Leão XIV, não apenas um líder religioso, mas uma voz que ainda consegue ser ouvida em meio ao barulho do mundo.

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